
Eu não imaginava o significado que aquela noite teria.
Tudo era muito escuro para queles olhos embaçados.
Mas além da fumaça de meus lábios pude ver você.
E era tão linda.
Brilhava e me atraia para uma armadilha de prazeres.
Cintilava e coloria num mar de vultos apagados.
Como eu poderia resistir ao seu canto de sereia?
Foi então que mergulhei naquelas águas perfumadas,
entrei em seu universo particular.
E nosso abraço era tão forte.
Desejei me perder eternamente em você,
naquele espaço de cores dançarinas,
de notas musicais inebriantes.
Estava preso àquele sonho,
àquela sua dança envolvente de amor.
Eu te apertava entre meus braços com tanta força
mas seu corpo era tão frágil...
Minha rosa amarela murchava
e o deserto ficava mais árido então.
Não havia música,
não havia cor,
só o gosto amargo da perda na boca.
A solidão que sinto,
a saudade de seu sorriso,
são caminhos insuperáveis agora.
Como ceifeiro, não posso alimentar sua alma.
Minha sina é te conduzir a uma asfixia sem limites.
Então corra...
fuja...
viva por nós dois
naquele paraíso de cores incandescentes.